Ser no Mundo vs Mundo no Ser

Eu vejo. Eu sinto. Não a ti. Ao mundo. Esse redor sempre presente. Barulhento, peçonhento, transpira sobre mim como se a minha função não fosse mais do que ser mero papel absorvente.

Caminho. Não! Corro! Fujo! Em vão... Eu estou nele. Eu sou ele. Ele não é eu. Cabrão... Tem-me o cerco montado. É assim desde tenra idade. Não há passo ao lado que não seja notado. Tocam os alarmes, soltam-se os cães de guarda desta realidade.

Sou como um tumor benigno ainda vivo num cadáver em decomposição. Uma flor de lótus que emerge do pântano. Surgidos de um acaso com multiplicação improvavel. Mas existir abre caminho para o que há-de vir.

Estou nele mas ele não está em mim. E isso será o princípio do seu fim.


Há um ano atrás...

Antes de chegar perdemo-nos, conduzindo por caminhos de mistério com a segurança de já nos termos encontrado. Não sabíamos para onde íamos quando finalmente chegámos. Chegámos acompanhados de outros perdidos que não se deixaram empatar pelo atraso e nos encaminharam para a cabeça do grupo. Fomos pé ante pé servindo de batedores que desbravam e apontam o caminho a ser seguido. Fomos assim embalados pelo vento, e espreitados pelo Sol, até que quando demos conta já estávamos na cauda do pelotão.

Não sei se nos pesam as pernas, se nos pesam os corações. Talvez estes últimos de cheios que estão.

Finalmente encontrámos o local ideal. Frio, ventoso, abrigado do sol acolhedor, com terra húmida repleta de galhos, pedrinhas incómodas, e terreno alinhado num plano inclinado. Estendemos os colchões, montaram-se os gongos e transformou-se o espaço e momento em grande sublimação. A Natureza não tem o bom e o mau. Tem o natural. O resto é o que nós fazemos dela. E hoje o que dela fizemos foi bom.


Escrito de Fresco porquê?

Há quem me tome por incontinente verbal mas a verdade é que a minha língua não tem débito suficiente para o turbilhão de pensamentos que me assolam a mente a todo o momento. Alguns engraçados, outros desgraçados, mas vários merecedores desta lapidação digital para a posteridade e, quem sabe, para a eternidade. Os escritos aqui presentes surgiram do nada e significam aquilo que quiseres. Não os escrevi para mim mas sim para ti. Enjoy
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